OAB 45: questão 66 - Direito da Criança e do Adolescente

Em Direito da Criança e do Adolescente, a questão 66 da primeira fase da OAB 45 (prova branca)1 cobrou Medidas de proteção e Conselho Tutelar. Entre 2021 e 2026, esse assunto foi cobrado em 7 das 16 provas da primeira fase e dividiu a liderança do ranking dos assuntos mais cobrados de Direito da Criança e do Adolescente2. Veja abaixo a questão completa, com o gabarito oficial e o comentário de cada alternativa.

OAB 45: ECAMedidas de proteção e Conselho Tutelar

Prova: OAB 45Ano: 2025Banca: FGV1ª faseVer caderno oficial

Enunciado

Joaquim, menor impúbere de 8 anos de idade, sofreu castigos físicos imoderados praticados por seu pai, Geraldo.

Diante do fato, a mãe de Joaquim, representando-o, constituiu você como advogado(a) do menor. Assinale a opção que apresenta, corretamente, o requerimento que você, como advogado(a) de Joaquim, deve apresentar.

  1. A

    A fixação de medida cautelar do Código de Processo Penal, pois ausente um regramento específico em favor de vítimas do sexo masculino.

    Comentário da alternativa A, incorreta.

    Comentário

    A alternativa está errada.

    Existe legislação específica para a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e familiar: a Lei nº 14.344/22 (Lei Henry Borel). Sua aplicação não depende do sexo da vítima.

    O Art. 2º, II, da Lei nº 14.344/22 considera violência doméstica e familiar contra criança ou adolescente a violência praticada no âmbito da família, inclusive aquela formada por laços naturais. Os castigos físicos imoderados praticados pelo pai contra Joaquim inserem-se nessa proteção.

    Além disso, o Art. 16, da Lei nº 14.344/22 e o Art. 20, III e IV, da Lei nº 14.344/22 preveem medidas protetivas de urgência e autorizam, entre outras providências, a proibição de aproximação e de contato do agressor com a vítima. Não há necessidade de recorrer apenas às medidas cautelares gerais do Código de Processo Penal por ser Joaquim do sexo masculino.

  2. B

    A destituição de guarda, no âmbito cível, e, somente então, haverá legitimidade de Joaquim para postular qualquer medida no âmbito criminal.

    Comentário da alternativa B, incorreta.

    Comentário

    A alternativa está errada.

    A proteção de Joaquim não depende de prévia destituição de guarda ou de poder familiar para que possam ser requeridas medidas de urgência.

    O Art. 16, da Lei nº 14.344/22 permite que as medidas protetivas sejam concedidas pelo juiz a requerimento do Ministério Público, da autoridade policial, do Conselho Tutelar ou a pedido da pessoa que atue em favor da criança ou do adolescente.

    No caso, a mãe de Joaquim, que não é a autora das agressões, constituiu advogado para atuar em favor do filho. A lei específica permite a busca imediata da proteção necessária, sem exigir que primeiro se encerre uma ação cível de destituição.

  3. C

    A fixação de medida protetiva de urgência de proibição de contato e aproximação, com base na lei específica de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente.

    Comentário da alternativa C, correta.

    Comentário

    A alternativa está correta.

    Os castigos físicos imoderados praticados por Geraldo contra o filho de oito anos configuram situação abrangida pela Lei nº 14.344/22, que estabelece mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra crianças e adolescentes.

    Conforme previsto no Art. 20, III e IV, da Lei nº 14.344/22, o juiz pode determinar ao agressor a proibição de aproximação da vítima e a vedação de contato com ela por qualquer meio.

    O Art. 16, da Lei nº 14.344/22 permite que a medida protetiva seja requerida, entre outros legitimados, por pessoa que atue em favor da criança ou do adolescente. Portanto, o advogado constituído pela mãe de Joaquim pode formular pedido de medida protetiva de urgência com fundamento na lei específica.

  4. D

    A fixação de medida protetiva de urgência de alimentos provisórios, com base na lei de violência doméstica e familiar contra a mulher, por analogia, ante a ausência de lei específica que ampare a pretensão de Joaquim.

    Comentário da alternativa D, incorreta.

    Comentário

    A alternativa está errada.

    A premissa de que não existe lei específica para proteger Joaquim é incorreta. A Lei nº 14.344/22 disciplina expressamente a violência doméstica e familiar contra crianças e adolescentes, independentemente do sexo da vítima.

    É verdade que o Art. 20, VII, da Lei nº 14.344/22 admite a prestação de alimentos provisionais ou provisórios como medida protetiva. Contudo, a alternativa fundamenta o pedido na Lei Maria da Penha por analogia e afirma inexistir legislação específica, o que está errado.

    Para o caso narrado, a proteção deve ser buscada diretamente com base na Lei nº 14.344/22.

Dispositivos legais

Veja abaixo os dispositivos de lei cobrados na questão.

Art. 2º Configura violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente qualquer ação ou omissão que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico ou dano patrimonial:

II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que compõem a família natural, ampliada ou substituta, por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;

Parágrafo único. Para a caracterização da violência prevista no caput deste artigo, deverão ser observadas as definições estabelecidas na Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017.

Art. 16. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, da autoridade policial, do Conselho Tutelar ou a pedido da pessoa que atue em favor da criança e do adolescente.

Art. 20. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente nos termos desta Lei, o juiz poderá determinar ao agressor, de imediato, em conjunto ou separadamente, a aplicação das seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras:

III - a proibição de aproximação da vítima, de seus familiares, das testemunhas e de noticiantes ou denunciantes, com a fixação do limite mínimo de distância entre estes e o agressor;

IV - a vedação de contato com a vítima, com seus familiares, com testemunhas e com noticiantes ou denunciantes, por qualquer meio de comunicação;

VII - a prestação de alimentos provisionais ou provisórios;

Quantas vezes o assunto Medidas de proteção e Conselho Tutelar foi cobrado na OAB

O assunto Medidas de proteção e Conselho Tutelar foi cobrado 8 vezes na 1ª fase da prova da OAB, considerando as últimas 16 edições do Exame de Ordem (32 a 47), aplicadas entre os anos de 2021 a 2026.

Abaixo, veja o gráfico de incidência completo.

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Assunto: Medidas de proteção e Conselho Tutelar

Altíssima incidência

Nas últimas edições da 1ª fase do Exame de Ordem, este assunto apareceu por 8 vezes em questões da disciplina ECA.

Portanto, trata-se de tema que apresentou altíssima incidência nas últimas provas, em comparação com os demais assuntos de ECA.

Incidência por edição

Número de questões em que o assunto apareceu

32º Exame de Ordem Unificado: 2 questões; 33º Exame de Ordem Unificado: 1 questão; 34º Exame de Ordem Unificado: 1 questão; 35º Exame de Ordem Unificado: 1 questão; 36º Exame de Ordem Unificado: 0 questões; 37º Exame de Ordem Unificado: 1 questão; 38º Exame de Ordem Unificado: 0 questões; 39º Exame de Ordem Unificado: 0 questões; 40º Exame de Ordem Unificado: 0 questões; 41º Exame de Ordem Unificado: 0 questões; 42º Exame de Ordem Unificado: 0 questões; 43º Exame de Ordem Unificado: 1 questão; 44º Exame de Ordem Unificado: 0 questões; 45º Exame de Ordem Unificado: 1 questão; 46º Exame de Ordem Unificado: 0 questões; 47º Exame de Ordem Unificado: 0 questões.


  1. O grau de incidência foi calculado com base em provas passadas, evidenciando a importância que a banca deu ao tema até o momento. Veja a análise e metodologia completa neste link. Consulte também o ranking completo dos assuntos de ECA.
  2. Este indicador não garante que o tema voltará a ser cobrado nas próximas edições do Exame de Ordem, devendo ser interpretado como mero indicador de tendência, jamais como fator de previsão de cobranças futuras.
  3. Exames considerados na análise: 32º ao 47º Exame de Ordem Unificado (16 edições) (1ª fase).

Outras questões de Medidas de proteção e Conselho Tutelar

Ver as 8 questões do assunto na lista geral

Referências

  1. Caderno oficial da primeira fase da OAB 45 (prova branca).
  2. Ranking dos assuntos mais cobrados de Direito da Criança e do Adolescente na primeira fase da OAB, AprovaDados.

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